Na educação infantil, a queixa “as crianças não obedecem” é recorrente. Ela aparece em reuniões pedagógicas, formações, conversas de corredor e atendimentos às famílias. No entanto, a pergunta mais importante raramente é feita: o que os adultos estão fazendo que dificulta a obediência infantil?
Na primeira infância, a obediência não é uma habilidade pronta. Ela é ensinada, mediada e construída na relação com o adulto. Quando essa mediação falha, surgem comportamentos que são interpretados como desobediência, mas que, na verdade, são respostas previsíveis a práticas inadequadas.
A obediência na primeira infância não é automática
Até aproximadamente os 6 ou 7 anos, a criança:
- não controla plenamente seus impulsos,
- não organiza o tempo sozinha,
- não responde bem a comandos abstratos,
- depende do adulto para regular emoções e comportamentos.
Por isso, exigir que ela obedeça “como um adulto” gera frustração dos dois lados.
Erro 1: dar comandos à distância
Falar de longe é um dos maiores sabotadores da autoridade. Quando o educador pede algo sem se aproximar, sem contato visual e sem acompanhamento, a criança aprende que obedecer é opcional.
Na prática escolar, isso acontece quando:
- o adulto fala de longe,
- chama a criança enquanto organiza materiais,
- grita do outro lado do pátio.
A criança pequena precisa do corpo do adulto como referência. A autoridade se sustenta na presença.
Correção pedagógica:
Aproxime-se, abaixe-se, fale olhando nos olhos e acompanhe a ação até o final.
Erro 2: transformar ordens em perguntas
“Vamos guardar?”
“Vamos sentar?”
Para o adulto, é educação. Para a criança, é escolha. A criança pequena é concreta e literal. Quando ouve uma pergunta, entende que pode responder “não”.
Correção pedagógica:
Use comandos afirmativos, curtos e claros, com tom calmo e firme.
Erro 3: exigir o que a criança não consegue cumprir naquele momento
Pedir foco quando a criança está exausta, exigir silêncio absoluto no auge da excitação ou interromper uma brincadeira sem transição são exemplos de ordens fadadas ao fracasso.
Cada ordem não cumprida enfraquece a autoridade do adulto.
Correção pedagógica:
Antes de dar um comando, avalie o contexto, o estado emocional da criança e o ambiente.
Erro 4: dar ordens o tempo todo
Quando tudo vira ordem, nada é prioridade. A criança perde o critério do que é realmente importante obedecer.
Correção pedagógica:
Diferencie regras (inegociáveis), combinados (flexíveis) e orientações (formativas).
Erro 5: gritar
O grito gera obediência por medo, não por compreensão. Além disso, quem grita comunica perda de controle, e autoridade não combina com descontrole.
Correção pedagógica:
Aproxime-se, chame a atenção da criança pelo nome e estabeleça contato antes de falar.
Conclusão
Crianças obedecem melhor quando:
- se sentem seguras,
- confiam no adulto,
- vivem rotinas previsíveis,
- recebem comandos claros e possíveis.
Obediência não é submissão. É relação.
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